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terça-feira, 30 de maio de 2017

Omã, o vizinho dos Emirados Árabes

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Depois de um dia todo navegando, chegamos ao país vizinho: Mascate (ou Muscat) em Omã.



Acordamos e o navio estava se aproximando do porto de Mascate. Ficamos na sacada um tempo observando a paisagem. Era muito diferente do que tínhamos visto em Dubai e Abu Dhabi: 

-aqui tudo parecia rochoso, montanhas e mais montanhas de um amarelo palha, que muito lembrava aquelas imagens que víamos na TV quando o assunto era guerra no Iraque. Nada de prédios espelhados e luxuosos.

Essas montanhas bem pontudas foram uma característica deste lugar.


Amanhecendo, o sol tentava aparecer entre as nuvens.

Sempre me impressionava em pensar o quão longe de casa eu estava.

Teríamos das 8h às 17h15 para conhecer a cidade. Aqui nós não contratamos o BigBus por dois motivos: o custo era o mesmo das demais cidades, 55 euros por pessoa, porém o passeio seria BEM mais curto. E o segundo motivo era que nós tínhamos 2 locais de interesse para conhecer, a principal mesquita da cidade, do Sultão Qaboos e o Mutrah Souq, ambos não fazem parte do roteiro do BigBus. Decidimos que mesmo que tivesse um preço semelhante, seria melhor fazer estes locais de táxi.

Os brasileiros (e outras nacionalidades sul americanas e africanas) receberam no dia anterior em suas cabines os passaportes. Ao desembarcar nós tivemos que pegar um shuttle até a imigração para fazer a papelada pessoalmente, com scanner de retina e tudo! Mais um carimbo lindo no passaporte. <3



Depois da imigração, pegamos outra van que nos deixou na porta do porto. Logo vimos vários taxistas angariando clientes. Este é aquele momento que você precisa cuidar para não ter a mesma ideia que temos de um taxista no Brasil. Lembrando que os crimes nestes países aqui são tratados de forma BEM diferente, logo sua incidência é bem menor também.

Negociamos com o nosso taxista por 3 horas de passeio a 90 dólares, que era melhor que os 110 euros para duas pessoas do BigBus. 


Rodovias invejáveis, como todos os lugares por onde passamos.

As paisagens continuavam em tons de amarelo palha, aqui e ali 
colorido por jardins. Mesmo as construções não eram coloridas 
e não haviam prédios notáveis.

Conversando com o taxista descobrimos algumas coisas:

- Omã é uma espécie de monarquia absoluta, o Sultão é dono da coisa toda. E ele chegou ao poder nos anos 70 depois de dar um golpe no próprio pai.

- Não há grandes construções como nos vizinhos dos Emirados Árabes porque há uma lei em que as construções podem ter no máximo 6 andares.

- Não há edificações coloridas porque há outra lei que diz que as edificações devem ser pintadas de branco ou bege.

- Omã foi conquistada dos portugueses pelo Império Otomano já no século 19. Eles nunca tomaram partido sobre os conflitos no Oriente Médio.

Gentileza foi o que nos marcou nos Omanis, todos que encontramos. Ao comentar com o taxista que passamos o dia anterior navegando e que talvez precisássemos parar em um Starbucks da vida para usar o wifi e dar notícias em casa, ele prontamente ligou para sua filha e pediu como fazia para rotear a internet do celular dele para gente. A gente se impressiona positivamente, e o que custa fazermos parecido, né? Gentileza gera gentileza!

Ele nos levou primeiro para a Grande Mesquita do Sultão Qaboos, porque segundo ele seria o horário mais vazio e melhor para visitação. E ele nos explicou que ela só ficava aberta poucas horas por dia para a visitação, entre os horários de reza.


Muito simpático, ele parou o carro na rodovia para que tirássemos fotos.

O marido precisou alugar uma roupa com o taxista para entrar, porque estava de bermuda. Eu havia trazido meu cachecol e improvisei como lenço de cabeça.

Não tinha a mesma grandeza ou luxo que a mesquita que visitamos em Abu Dhabi, mas era espetacularmente linda também. O impacto inicial aqui se dá pelos jardins, muito lindos em contraste com todo o deserto. Realmente não dá para deixar de fora do roteiro uma vez que se está lá!


Foi "dada" à população pelo Sultão no ano 2000, em comemoração de 30 anos de seu governo.


Tudo muito limpo. Haviam locais específicos para retirar os sapatos e 
guardá-los enquanto faz-se a visitação.

A sala de orações feminina é a primeira que visitamos. 
Bem menor, apresenta no tapete o espaço reservado a cada pessoa. 
Repare nesses detalhes em madeira no teto.


Essa é a sala de orações principal, destinada aos homens. Sua capacidade é para 6 mil pessoas. Observem no vídeo os detalhes nos pilares, no tapete que é um só tecido a mão. Até pouco tempo atrás esse era o maior tapete do mundo, perdeu tal posto quando a Mesquita do Sheik Zayed foi construída. 





É uma grandiosidade de detalhes de ficar besta. Meu conflito interno se apresenta neste momento, pensando que fé e toda essa luxuosidade não me parece combinar.




São portas de madeira completamente entalhadas, coisa mais linda. 

Essa dava para chegar bem perto. Na anterior pensamos que 
poderia ser feito com laser, mas acho que foi a mão mesmo...





Ao final do passeio dentro da Mesquita, ele nos levou para um anexo ao lado. Era uma sala bonita, com sofás rodeando as paredes e uma mesa ao centro com bandejas de tâmaras frescas. 

Pecados a parte, logo imaginamos que seríamos induzidos a comprar alguma coisa. Ali ele nos acomodou, nos trouxe garrafinhas de água gelada, e perguntou se queríamos chá de gengibre. Aceitamos. Trata-se de uma bebida muito apreciada, servida BEM quente e BEM forte. Gostoso, mas só de lembrar parece que sinto o gengibre pinicando minha língua como se fosse pimenta. =D

Em seguida, uma moça se aproximou com a bandeja de tâmaras e pediu que ficássemos à vontade para comer. Foram as tâmaras mais deliciosas que eu já comi na vida. Enquanto comíamos, ela começou a conversar com a gente, perguntou de onde éramos, e mesmo sem ter nenhuma referência sobre o Brasil (nem Pelé nem futebol associados a nós) ela se mostrou simpática e perguntou quais eram as religiões comuns no nosso país. O objetivo dela era explicar um pouco mais sobre o islã.

Percebemos uma preocupação muito grande em deles em se dissociar dos grupos terroristas e muçulmanos radicais. Ela fez questão de dizer várias vezes que o Islã e seu profeta pregam o amor, o respeito e a harmonia, e que todos são bem vindos no país, independente da religião. Não sei explica em palavras, mas foi um papo muito legal, uma experiência para a vida. 

Antes de sairmos ela dos deu alguns livros, pasmem, em português. Dentre eles o Alcorão traduzido e explicado. Muito legal, me sinto um pouco menos ignorante depois desta experiência.


No site da mesquita tem um tour 360º muito bacana, me senti de novo lá só que sem milhares de turistas junto.

No caminho, conversamos com o taxista e perguntamos o que move o país. Como já esperávamos, petróleo. Ele não sabia dizer como era a geração de energia (se termoelétricas ou outro), nem de onde vinham as frutas frescas que consumiam. Como se aquilo não fosse importante, uma vez que ele trabalhava e mantinha uma família com duas filhas. Nenhum luxo ou algo assim, e em momento algum pareceu ser o desejo dele. Acho que aqui existe um pouco da religião atuando. Há uma preocupação maior em ser gentil, humilde, não se omitir com relação ao próximo. E o que se tem é o que se merece. Essa foi a sensação que tive.

Ele nos levou até uma vila mais afastada e “normal”. Onde os trabalhadores locais residem. Podíamos ver ruas mais estreitas e casas mais simples. Mas nada bagunçado ou sujo, apenas humilde.


Neste local tinha uma fonte de água quente proveniente do interior da montanha. Acredito que seja um daqueles eventos geológicos tipo o que acontece em caldas novas. Logo adiante daquele ponto, havia uma espécie de casa de banho.. 



Com essa água quente que vem da montanha, as pessoas do bairro tomam banho e “lavam” as roupas. Entre aspas porque é proibido utilizar qualquer tipo de produto químico lá. Eles utilizam apenas algumas plantas para perfumar. O marido entrou no local para homens e eu para mulheres, apenas para olhar. Nada demais, lembra um banheiro de academia só que grande e aberto. 



Depois disso ele nos levou para um região onde tem alguns dos hotéis mais lindos da região, à beira mar, claro. 

Ele parou o carro, mandou a gente descer e entrar no Grand Hyatt para tirar fotos. Acho que foi o mais próximo de um hotel 5 estrelas que eu já passei. =D



De lá fomos até o Royal Opera House Muscat tirar fotos. Trata-se de uma galeria com lojas e restaurantes caros, e com espaço para shows. 



Logo ao lado do Royal Opera tinha um Subway. Não comemos porque o taxista não nos esperaria, mas de ver o letreiro assim deu curiosidade em saber o quão diferente eram os sanduíches.


Reparem na escrita da direita para esquerda, pelas cores na "tradução".
A praia pareceu linda, deve ficar cheia no verão. Aqui também 
deve-se respeitar os trajes de banho locais. Apenas nas praias 
privativas dos hotéis, quando disponível, é tolerado o uso de trajes 
ocidentais como biquínis e sungas.

Já retornando em direção ao porto, pegamos um congestionamento danado. Infelizmente não foi possível ir ao Palácio Real Qasr Al Alam. Já no fim das 3 horas combinadas o taxista nos deixou em frente ao Mutrah Souq, e dali dava para avistar o porto: podíamos voltar a pé pra lá.



O foco neste mercado são compras, em sua maioria de roupas, lenços e lembrancinhas. O dinheiro em Omã se chama Rial, e durante a nossa viagem a cotação era 1 Rial = 7,50 Reais. Bem puxado. 


Comecei o meu passei no mercado indo ao banheiro. E foi o banheiro mais sujo que eu já fui na vida. Aqui eu culpo a quantidade de turista sem noção junto com uma falta de manutenção do lugar. 


Alguns dos lenços mais bonitos comprei aqui. Em média depois de alguma pechincha saíram entre R$60 e R$75. Nenhum de seda, mas vários de cashmere.





O mercado era grande mas encontramos apenas uma loja com temperos e comida. Marido comprou algumas especiarias e compramos tâmaras. Não eram tão gostosas como a que comemos na mesquita, infelizmente. Tinha tanta coisa que eu não fazia o que era nessa loja que eu fiquei até tonta. Muitos produtos tinham rótulo apenas em árabe, aí já viu né?






Nada era absurdamente barato aos meus olhos, porque tanto em euro como em rial nos parecia bastante. A pechincha é algo que faz parte da cultura deles. Eles esperam que você pechinche. E quando você erra a mão e joga um preço muito baixo, eles se ofendem e vão para dentro da loja. Aconteceu uma vez conosco. Hahahahahahaha



Marido queria porque queria comprar uma roupa Omani. Se ele foi para a Bahia e voltou de lá com uma bata cheia de miçangas, porque não?



Ele comprou tudo que tinha direito. Traje completo Omani. E de brinde eu ganhei um niqab. Esse é no nome da vestimenta árabe feminina na qual apenas os olhos ficam a mostra.
Eu JURO que estou sorrindo pra foto! =D

Tem uma coisa que eu me arrependo amargamente de não ter comprado, porque achei caro e agora acho que mesmo caro devia ter comprado. Óleos essenciais. Onde o marido comprou a roupa o vendedor muito simpático falou que para ser um verdadeiro Omani faltava o perfume. Ele puxou um dos frascos da prateleira e passou nesse pomponzinho marrom da roupa. Tem dois meses que a roupa está guardada e o cheiro continua lá, intacto. Não tenho ideia do que era o óleo, só sei que deveria ter comprado. Custava algo em torno de $12 dólares um frasco minúsculo com 5 ml.


Eles sempre capricham no teto dos lugares!

O mercado é todo fechado e escuro lá dentro, sempre com luz artificial ligada. De repente as lojas começaram a fechar e por um momento a gente achou que tinha se perdido nas horas e que já passava das 17h. Nada, era hora do almoço mesmo. TUDO fecha para o almoço. Mesmo cheio de turista como estava.


Conforme as lojas foram fechando, os turistas foram debandando de volta para o porto.

Nós também resolvemos que era hora de voltar para o navio. Mais umas fotos para guardar bem esse lugar tão legal...




E pensa numa pessoa feliz se misturando a população local com esta roupa? só faltou as sandálias no lugar do tênis...



E assim terminou mais um dia da nossa viagem. Perdeu alguma parte até agora?

1 - Emirados Árabes: quanto custa?
2 - Cruzeiro nos Emirados: Upgrade de cabine e Visto
3 - Emirados Árabes: A mala mais errada da minha vida!
4 - Emirados Árabes: 14 horas de viagem
5 - Emirados Árabes: O Embarque do cruzeiro e as primeiras impressões sobre Dubai
6 - Emirados Árabes: A simulação de emergência e Abu Dhabi
7 - Cruzeiro com a MSC: a Comida!
8 - Cruzeiro com a MSC: a Estrutura do Navio!
9 - Omã, o vizinho dos Emirados Árabes
10 - Emirados Árabes: praia e compras em Khor Fakkan
11 - Emirados Árabes: a Ilha de Syr Ban Yas
12 - Emirados Árabes: os Encantos de Dubai e o Desembarque do Cruzeiro

Beijos e até semana que vem!

8 comentários:

  1. Mais um capítulo dessa viagem incrível! Fiquei extasiada com a Mesquita, a arquitetura, os detalhes da obra... luxuosa, linda, encantadora! Ri muito da foto com o niqab (sorry, mas ri mesmo). E sinceramente, devia ter comprado pelo menos um óleo essencial! São maravilhosos (adoro, sou apaixonada por eles). Que venha o próximo capítulo!!!!

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  2. Carou que passeio lindo em Mascate, quantos lugares bonitos que você conheceu daqui fiquei imaginando se eu estivesse aí nesse lugar o que iria sentir visitando cada pedacinho desse país. Fiquei impressionada com as montanhas que imagem linda, a praia me lembrou Copacabana aqui no Rio de Janeiro. Gostei muito de embarcar nessa viagem incrível, amei as fotos pude conhecer um pouco desse país, bjs.

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  3. Que post mais recheado de cultura, gente. Achei extremamente detalhado e cativante. Fiquei curiosa com as tâmaras e tb sobre os lanches do Subway :P Amei o post e todas as incríveis fotos *-*

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  4. Bom dia, como vai?
    Gostei bastante do seu post, pois amo quando você nos leva a conhecer lugares incríveis, imagino que deve ser uma maravilha poder estar um em lugar assim. Simplesmente fiquei encantada com as fotos. beijos

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  5. mulher que lugares lindos fiquei encantada uma viagem maravilhosa em
    a minha madrinha ama a cultura arabe um sonho dela em ir para la vou mostrar seu post pra ela tem a noçao de quanta coisa bonita tem la rs

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  6. Que lindo esses lugares, lindas as fotos, adorei o post detalhado, deve ser lindo estar ai. bjs

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  7. Amei o post e as curiosidades, que lugar lindo, a viagem deve ter sido incrível! É maravilhoso conhecer uma cultura diferente. Adorei todos os detalhes!

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  8. Fiquei até sem fôlego por ver tanta beleza, que viagem maravilhosa que vocês fizeram, conhecer tantos lugares lindos e esse povo são gentil, achei muito legal eles quererem mostrar que não são iguais aos radicais que o Deus que eles servem é amor, já li algumas partes do alcorão na faculdade e até hoje continuo impressionada.
    Beijos

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