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sábado, 26 de agosto de 2017

Brechós e a ressignificação da roupa

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Brechó, tá aí uma coisa que até pouco tempo atrás, eu tinha muito (muuuuito) preconceito.



Não que eu não vestisse roupas usadas, muito pelo contrário, passei a infância e adolescência todinha usando as roupas das minhas primas mais velhas. Algumas das roupas que mais amo hoje, já foram de amigas minhas também. Eu sempre carreguei comigo esse sentimento de que quando se usa uma roupa de alguém que a gente admira ou ama muito, nós incorporamos um pedacinho dessa pessoa na gente, absorvemos um pouquinho da sua coragem, da sua beleza, da sua personalidade. Usar uma roupa de alguém que a gente gosta muito, é como ter essa pessoa sempre junto, sentir o abraço dela através do toque do tecido.


Mas então, por que essa aversão tão grande a brechós? Bem, as roupas usadas das minhas primas e amigas sempre foram presentes. Já em brechós, além de não conhecer a antiga dona e suas histórias, eu iria precisar pagar pela peça, PA-GAR por uma peça “VE-LHA”! Sim, eu achava um absurdo gastar meu dinheiro com coisa usada.

Obvio que o conceito de brechó que eu tinha em mente era algo totalmente medonho, velho e cafona desgastado e démodé, tudo isso regado a muita renite alérgica. Esse conceito eu construí com base em algumas lojinhas de rua que já vi por aí. Uma delas aterroriza meus pensamentos até hoje, a loja ficava no segundo andar de um prédio com entrada pela calçada em uma rua movimentada da cidade, era apenas uma porta que dava acesso a uma escadaria, no descanso dessa escada havia um manequim daqueles antigos e meio macabros sabe? Detalhe, o maldito manequim usava um vestido de festa!!!! Não tinha como defender.

Minha mente começou a se abrir meio que por necessidade (e intere$$e). Na época não se falava muito sobre o impacto da cadeia produtiva têxtil, nem sobre produção e consumo desacerbados de moda, então obviamente eu não me preocupava muito com isso... meu real motivador foi financeiro! Eu tinha muita dificuldade em desapegar das minhas coisas, então meu armário estava abarrotado de itens sem serventia e sem lugar para mais nada! Uma limpa geral seria necessária, mas o que fazer com todas aquelas roupas lindas, algumas praticamente sem uso? Peças que eu havia comprado de forma equivocada, que deixaram de me servir, ou não combinavam mais comigo?

 VENDER!



Ahhh bonito!! Agora tu quer vender né?
Sim, eu iria me beneficiar daquilo que eu sempre desprezei, shame on me! Pois é, a gente não nasce desconstruidona né?! Mas o melhor da vida é que a gente pode mudar nossos pré-conceitos e aprender com nossos erros.

Bem, fiz a limpa no armário, ensacolei as coisas vendíveis e guardei na despensa (por um bom tempo, para a infelicidade da minha mãezinha), até descobrir como lucrar com o desencalhe daquilo tudo. E a solução que encontrei foi organizar um brechó itinerante!

A lição que tirei disso tudo, foi que aprendi mais sobre sustentabilidade. Para organizar o evento eu precisei pesquisar, além é claro, de frequentar eventos desse tipo, e assim meu preconceito com roupas seminovas foi caindo por terra, descobri um mundo todo novo na minha frente. Vi o quanto minha ideia de brechó estava equivocada e o quanto minha mente era quadrada.

Descobri que no fundo não era só por dinheiro, vender minhas roupas seminovas, era dar uma segunda chance a elas, uma nova oportunidade de fazerem outras pessoas felizes, era sentir gratidão pelo tempo que elas me fizeram feliz, mesmo que eu não as tenha usado tanto quanto deveria. E dessa forma, dar também uma segunda chance para as peças de outras pessoas, peças que agora poderiam ajudar escrever a minha história, era dar um novo significado a elas! Era dar também um folego para o planeta, aumentando sua vida útil e aproveitando melhor todos os recursos (naturais, humanos e financeiros) investidos em sua confecção.

Digo mais, se você é daquelas que curte uma promoção, meu bem, comprar em brechó é viver em eterna promoção hehe! Tem muita roupa seminova linda, com precinho bem camarada só esperando uma chance de te conhecer! Mas óh, eu não estou dizendo para você torrar toda sua grana em brechós não, estou apenas te pedindo para dar uma chance (e quem sabe uma preferência) para as roupas seminovas, quando tiver que comprar alguma coisa! Gostaria muito que você lesse este texto aqui, para entender o porquê eu digo isso! ;)



E você, o que acha de brechós? Usa roupas seminovas? Conta, que nós aqui do (Ins)piradas estamos loucas pra saber sua opinião!

E se liga que logo logo vai rolar post com meus achadões de brechós! 


Beijos Inspiretes! <3

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