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sábado, 16 de setembro de 2017

A Arte de Presentear: Você está fazendo isso certo?

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O que o ato de dar presentes representa para você? E receber?

Para mim, era algo maçante. Confesso que presentear me causava um certo desgaste ~físico e emocional~ especialmente quando o presente era por mera formalidade e para alguém que eu não tinha tanta intimidade. Sempre rolava aquelas paranoias: “Será que a pessoa vai gostar?”, “Será que ela vai achar pobre?”, “Que vergonha eu vou sentir se errar!”.




Na hora de receber a gente vive o outro lado da moeda. Receber em si é fácil e quem não ama? Problema é se por algum motivo você não gostar do presente. Na maioria das vezes nem é por chatice sua, é porque simplesmente o presente não te representa. Já pensou ganhar um brincão gigante sendo que você só usa brincos pequenos? Você simplesmente não vai saber lidar com o presente. E aí as nóias voltam: “Será que a pessoa vai se ofender se eu trocar?”, “Será que ela vai notar que não estou usando?”, “Será que vai se magoar se souber que não acertou?” (As vezes quem presenteou realmente se ofende se você não usar o presente). 

Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra!

Por que será que esse ato tão lindo de troca, repleto de significados e sentimentos se tornou algo tão tortuoso? Quando foi que nos desviamos de seu real sentido? Quem deturpou a ideia de dar e receber presentes?

Bem, primeiro precisamos entender o real significado do presente e do ato de presentear.

Presentear faz parte da humanidade desde sempre, afinal é uma forma de estreitar laços sociais. A historinha mais famosa sobre o ato de presentear é a dos três Reis Magos que presenteiam o Menino Jesus com ouro, incenso e mirra, acho que você já deve ter ouvido né? Era costume da época ofertar presentes a pessoas importantes, como forma de homenageá-las.

Três Reis Magos, mosaico na Basílica de Sant'apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
Na verdade, o propósito de homenagear permanece até hoje, ou pelo menos deveria ser assim. O real sentido do “presente” é fazer um agrado para alguém especial, é um mimo portador da mensagem “eu tenho apreço por você e vou demonstrar meu carinho através deste gesto de lhe presentar”. Logo, o valor não está no objeto, mas no gesto!

E foi aí que a sociedade se perdeu.

Reduzimos o tão imaculado gesto de demonstrar carinho, a um apático protocolo social, praticamente uma imposição que passou a ter um teor muito mais materialista do que sentimental.

As datas comemorativas ganham cada vez mais destaque na indústria e na mídia sedenta de consumo, induzindo-nos a gastar o dinheiro que não temos em objetos que nossos entes muitas vezes não precisam, ou não fariam questão de receber. Ou você acha que uma criança de um aninho irá se ofender se não ganhar o brinquedo do momento? Aliás, as crianças não são o problema, elas são apenas um reflexo nosso, nós é que bagunçamos os valores!

Imagem: Freepik
Como você presenteia alguém? É por mera formalidade, para não deixar uma data “passar em branco” ou é por que você realmente quer, por que encontrou um mimo que é a cara de alguém que você gosta muito? Pense nisso!

Lembre-se que uma carta escrita a próprio punho com palavras de carinho em uma data qualquer, tem muito mais valor que um objeto escolhido aleatoriamente em uma loja para uma “data especial”. Afinal, existem coisas que dinheiro nenhum pode comprar, mas que têm muito mais valor que qualquer bem de consumo!

Eu por exemplo, acho que presente tem muito mais a ver com empatia, inspiração e criatividade do que com consumismo não refletido em datas especiais comerciais.

Agora gostaria de apontar também um outro aspecto sobre o ato de receber presentes: Como lidar com presentes (e com o sentimento que carregam) que não serão úteis para nós?

Temos a tendência de guardar tudo pelo simples fato de terem sido presentes, então, nossa casa se enche de objetos sem serventia que acabam ocupando espaços que poderiam estar sendo preenchidos de forma mais prática e eficiente. Sim, aqui o lado racional deve falar mais alto!

Esses tempos, eu estava lendo o livro “A Mágica da Arrumação” de Marie Kondo (que inclusive recomento MUITO) e me deparei com uma das melhores explicações que já vi sobre a nossa relação com presentes.

“[...] Presentes são manifestações de afeto e consideração. [...] A verdadeira função de um presente é ser recebido. Presentes não são “coisas” e sim, o meio de transmitir o sentimento de alguém. Com essa perspectiva em mente, não há motivo para se sentir culpado por jogar um presente fora. Agradeça pela alegria que sentiu quando o ganhou. É evidente que o ideal seria poder usá-lo com satisfação; contudo, a pessoa que deu o presente certamente não ia querer que você o usasse por mera obrigação ou que o deixasse sem uso, sentindo-se mal toda vez que olha para ele.”


Foi libertador me dar conta que presentes são “mensageiros” e que a mensagem está no ato e não no objeto. A missão do presente se cumpre quando ele é entregue e nos causa alegria!

 Agradeça pela alegria que sentiu.

Essa simples frase resume tudo! Agradeça a alegria que sentiu quando ganhou o presente (seja ele qual for). E agradeça a alegria que sentiu ao dar o presente a quem você ama. Agradeça. Gratidão. Sempre.

Então, daqui para frente, não se torture pensando se a pessoa irá gostar do seu presente, apenas escolha-o com amor. E por favor, não se ofenda se quem o receber não for capaz de usá-lo! Lembre-se sempre da sua real função... mensageiro de alegria. Também não se culpe por se desfazer de um presente, afinal, sua missão já foi cumprida!

Sejamos pessoas simples e de coração grande.

Imagem: Freepik
Então, vamos espalhar essa ideia de simplicidade e gratidão por aí?


Beijos <3

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