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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O “fundamentalismo” minimalista

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O minimalismo é um movimento crescente na atualidade. Fato. E isso é realmente muito bom. Estamos vivendo em um tempo em que se mostra necessário refletir sobre nossas reais necessidades e repensar nossos hábitos de consumo.


Por muitos e muitos anos fomos bombardeados com informações (errôneas) de que precisamos de coisas, muitas coisas, que nosso sucesso está vinculado ao que possuímos e o que ostentamos. E assim, fomos mudando o foco do que era realmente importante e necessário, para nos submeter a uma cobrança de consumo.
E eis que surge o Minimalismo como estilo de vida. E para quem não está familiarizado com o conceito, minimalista é alguém adepto do estilo de vida simples e elementar, que busca reduzir ao essencial os meios e recursos para viver, buscando uma vida com mais significado.
E é exatamente isso que mais me atrai – o ter com significado – o possuir na medida, sem excessos, consumir de forma consciente, focada na qualidade e não na quantidade. Mas o essencial para um pode não ser para outro, é algo totalmente individual. E é exatamente este o ponto focal deste post. Não é uma acusação. É um desabafo.
Neste movimento com cada vez mais adeptos, considerando-se que o minimalismo é a ausência de exageros, tenho observado o surgimento de pessoas apresentando regras – algumas bastante radicais e exageradas – para se ter uma vida minimalista.
Incitar a pintar as paredes da casa de branco, não ter quadros e enfeites, se desfazer da cama e dormir com o colchão no chão, não ter mais um armário e deixar as roupas em uma mala ou em um pequeno móvel não é, de fato, praticar o minimalismo. Não se pode confundir estilo de vida minimalista com decoração minimalista.
Isso é individual. Porque um minimalista não pode gostar de paredes coloridas? Porque não deve ter enfeites ou lembranças em casa? Porque não pode ter uma cama?
Temos também o famoso armário cápsula. Isso pode funcionar muito bem para algumas pessoas e acredito piamente que é um excelente exercício para quem quer aprender a ser menos consumista. Mas não é necessário ter um armário cápsula para ser minimalista. Cada um sabe a quantidade de roupas que necessita e isso vai variar de pessoa para pessoa.
Nada contra quem quer dormir no chão e deixar as roupas em uma mala e que entenda que o número de peças de roupas que deva possuir seja apenas o que cabe em uma mochila. Só me surpreende quando tentam fazer disso uma regra ou quando se vangloriam como se, ao fazer isso, estivessem em um nível superior da prática minimalista.
Tenho pensado muito nisso, deste que em vi uma postagem em um grupo sobre Minimalismo (óbvio) em que uma pessoa relatava que ia se casar e ia gastar uma quantidade X para a festa e pedia conselhos. Algumas respostas que li me deixaram chocadas. Uns ridicularizando a ideia de se gastar dinheiro com uma festa de casamento, outros aconselhando a desistir da festa e, ainda bem, muitos entendendo que a decisão de fazer uma festa já estava tomada e era, a toda evidência, importante para essa pessoa, apoiando e dando conselhos de como fazer uma festa em um estilo mais minimalista (que era exatamente os conselhos que a pessoa estava pedindo).
Esse minimalismo radical e praticado de forma “fundamentalista” me assusta. Dizer que não se pode consumir é um exagero. Pregar o “não gastar” ao invés de “consuma de forma consciente” beira a mesquinhez. Reduzir um guarda roupas a um número não observa as necessidade individuais. A ausência de decoração na casa não define a prática do minimalismo.
E aí vejo pessoas se tornando prisioneiras de um estilo de vida que deveria ser libertador.
Minimalismo não tem nada a ver com dinheiro ou com a cor da parede, mas sim, com prioridades. Focar no que é realmente importante, valorizar o que efetivamente tem valor e isso é totalmente individual.
Tentar criar ou impor regras para viver de forma minimalista é não compreender o minimalismo em sua essência e a inflexibilidade de opinião e compreensão das necessidades individuais demonstra uma grande ausência de empatia, com uma imposição das necessidades próprias como necessidade dos demais.
De que adianta se libertar de uma prática de consumo exagerado e se tornar prisioneiro da ditadura do “menos é mais”? Você apenas mudou de prisão.
A melhor prática do minimalismo é aquela que te liberta das imposições da mídia de consumo, é a que te leva a refletir sobre suas reais necessidades, que te leva a apreciar a simplicidade e, acima de tudo, é não ter regras, mas reconhecer o que e o quanto necessita para ter uma vida plena e feliz.
  

 “Existe uma natureza poética no minimalismo que é sobre o equilíbrio entre o cheio e o vazio”.– Jennie C. Jones


10 comentários:

  1. Muito bom seu texto, uma ótima maneira de nos fazer refletir sobre tudo.
    Não entendo muito sobre minimalismo, mas seu post super me ajudou a interpretar um pouco melhor, adorei.

    https://spkyjmchrstms.blogspot.com.br/

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  2. Oi, tudo bem?
    Eu sou uma pessoa que não conseguiria ser adepto do minimalismo, contudo não sou de julgar quem é. Acho um tipo de movimento legal, realmente só não da para minha pessoa, rsrs.
    Quanto a esses minimalistas radicais: triste. Mas a verdade é que tudo sempre acaba aparecendo pessoas radicais e que se acham dona da razão.

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  3. Olá!Realmente temos que repensar nossos hábitos de consumo,adorei obter mais conhecimento sobre o minimalismo,seu post foi bem esclarecedor e refletivo.Bjss

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  4. olá tudo bem ?Sou adpta ao minimalismo e acredito que o menos é mais.
    Mais organização , menas bagunça ...kkkk, estou sempre tentando desapegar e acreditar que serve para alguem oque não me faz falta. Adorei o post .Bjsssss

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  5. Gostei bastante do seu texto. Li bastante sobre o minimalismo e gosto demais da ideia que ele se propõe, não sabia que existia esse radicalismo por aqui também, é uma pena né? as pessoas acham que precisam ditar regras em movimentos e ideias que simplesmente não competem a ela. É uma boníssima ideia, desde que cada um cuide de si e do que é realmente importante ou não né

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  6. É uma bela reflexão, infelizmente tem pessoas que abusam dessa ideia. Eu queria muito ser adepta desse estilo de vida, Mas ainda não sei se consigo me adaptar. Parabéns pelo post e sucesso para você. 😘

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  7. Nossa, Um assunto bem profundo para refletir. As pessoas estão se prendendo muito nesse estilo, para quem quer aderir ao minimalismo é um pouco difícil por causa das regras que muitos botam. Eu gostei bastante do assunto, também pude perceber que as pessoas acabam que deixando de usar roupa colorida por causa das regras e eu acho que cor também conta. Eu não sou uma pessoa consumista, mas acho que seria difícil pra mim me adaptar a esse estilo.

    http://fabiisanto.blogspot.com.br/

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  8. Parabéns pelo seu texto,coloca a gente pra refletir,amei.Você explicou muito bem sobre esse assunto.bjs
    http://www.divamodaefotografia.com.br

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  9. Realmente, o que mais tem acontecido é a mídia querendo regrar o Minimalismo, com seus guias sem sentidos do que pode e não pode fazer, deveríamos nos libertar com o minimalismo e não ficarmos prisioneiros dele. Gostei muito do texto, nos esclarece muitas coisas. Beijos.

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  10. Um texto para ler e refletir no que realmente estamos precisando no momento, palavras muito bem colocadas, parabéns pelo post, bjs.

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