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terça-feira, 5 de junho de 2018

Como é viajar a bordo do Celebrity Summit?

às 09:00
Há pouco mais de um ano e meio atrás eu me vi descobrindo um novo mundo de possibilidade quando compramos nosso primeiro cruzeiro pelos Emirados Árabes.



Já naquela ocasião alguns diziam: “cuidado que vicia”. E não é raro encontrar a bordo pessoas que já fizeram mais de 40 cruzeiros! 


Diferente da narrativa dos meus posts sobre aquele primeiro cruzeiro, me sinto mais crítica agora, e menos deslumbrada. Afinal, quanto mais se experimenta, mais fácil fica distinguir o que é apenas bom do que realmente excede expectativas. Começo dizendo isso: pelo que eu tinha lido e tinha conversado com algumas poucas pessoas, minhas expectativas com a Celebrity estavam altíssimas! E ainda sim elas conseguiram ser superadas.

A Celebrity é uma companhia americana e do mesmo grupo da Royal Caribean. É pouco conhecida entre os brasileiro, eu mesma não encontrei registros deles já terem feito alguma temporada com saídas da costa brasileira, apenas saindo de Buenos Aires com a nossa costa como destino. 

O meu ponto de comparação para expressar a minha opinião são os dois cruzeiros da MSC que fiz anteriormente. Deixando claro desde já que tanto o MSC Fantasia pelos Emirados Árabes como o MSC Divina pelo Caribe foram viagens ótimas! Mas hoje eu consigo perceber ainda mais claramente que elas poderiam ter sido ainda melhores! 

Os valores: o cruzeiro com a Celebrity foi o mais barato dentre os 3 que realizamos, uma questão de oportunidade de datas e o preço reduzido por se tratar de um reposicionamento de navio. O reposicionamento ocorre quando uma temporada acaba em uma localidade e o navio precisa se deslocar até o local onde uma nova temporada vai começar. Neste caso, o Celebrity Summit estaria encerrando a temporada no Caribe, saindo de San Juan em Porto Rico, com destino a New Jersey, de onde fará novas saídas rumo as Bermudas e costa leste do Canadá.

O roteiro: saindo de San Juan em Porto Rico, aportando no dia seguinte em St. Thomaz (Ilhas Virgens Americanas) e depois em Phillipsburg (St Marten). Mais dois dias de navegação, chegando então em Bermudas onde seriam dois dias para conhecer a ilha. Mais um dia de navegação em então chegando em Bayonne, New Jersey (logo ali ao lado de New York City). No total 9 dias e 8 noites de viagem.

Esse é aquele item que fica difícil comparar. Cada um dos roteiros que fizemos nos levou a lugares diferentes. Apenas St. Thomaz seria repetido para nós, e foi legal que tivemos a oportunidade de conhecer uma praia diferente.

Atendimento: logo na chegada ao porto já pudemos começar a perceber a diferença entre as companhias. Desde o primeiro contato com o primeiro funcionário foi encantador. A sensação que tivemos é que os funcionários da Celebrity trabalham muito mais felizes, e isso acaba refletindo na forma como atendem e nos passam eficiência, empatia e bom humor. Em absoluto, não conseguimos pontuar sequer uma experiência ruim com funcionários. Comparando com as duas experiências anteriores na MSC, notamos lá funcionários de saco cheio, beirando a grosseria. Sem contar alguns membros da tripulação que pareciam se sentir superiores de farda, aquele ar meio babaca e desnecessário para um prestador de serviço. Então podemos dizer que o atendimento da MSC beira o ridículo perto do atendimento na Celebrity.

Convívio dentro do navio: nas experiências anteriores eu questionei muito o fato de não existir por escrito, nem nos informativos diários nem em algum lugar a parte, as “regras do jogo”. Quando você coloca gente do mundo todo para conviver no mesmo ambiente, com toda a diversidade cultural que existe, é extremamente necessário que as regras de boa convivência estejam claramente colocadas. Ninguém pode adivinhar que aquela conduta não é desejada se ninguém contou. E durante as duas viagens com a MSC isso nos incomodou demais. Muita gente furando fila, agindo de forma inapropriada em determinados ambiente, e até a questão de vestimentas para cada dia e cada ambiente não ficava claramente explícito. Junte isso a funcionários mal treinados para solicitar, por exemplo, que regata não era permitida no buffet à noite. A regra não estava escrita em lugar algum, o funcionário foi grosseiro e o resultado é só estresse!

Na Celebrity, logo no primeiro dia junto com a programação veio uma folha com informativos sobre a tripulação e no verso, algumas regras básicas de convivência.


As regras básicas, estava na cabine junto com os pais de boas vindas.

Além disso, na agenda diária sempre havia algum tipo de lembrete, desde sobre o traje sugerido para cada noite até sobre a questão da reserva de cadeiras na piscina. Com coisas simples como essas fica mais fácil até para o funcionário quando precisa “cobrar” algo do hóspede. Exemplo: em um dos dias de navegação teve um tour pela cozinha. No informativo solicitava calçados fechados, e que chinelos e sandálias não seriam permitidos. Vimos um casal chegando e a funcionária, com um sorriso no rosto e de forma muito educada pediu: “infelizmente faz parte das regras sanitárias e de segurança. Mas eu vou fazer a inscrição de vocês aqui, e como a saída do grupo de vocês ainda demora um pouco dá tempo de irem até o quarto e trocar, o que acham?” Notamos que o casal aceitou e não pareceu chateado ou contrariado. Simples, eficiente... 

Notamos também que uma das políticas deles não é simplesmente dizer “isso é proibido/não é permitido”. Eles são treinados a explicar e propor soluções ao invés de simplesmente bloquear. Treinamento que faz toda a diferença na cordialidade de atendimento, mais uma vez. 

Comida: a comida da MSC foi espetacular nas duas oportunidades, não tivemos do que reclamar. Mas sabe aquela coisa, quando você acha bom porque não conhecia algo melhor? Gzuz o que é a comida na Celebrity? Se eu já achava que comia demais na MSC, no Celebrity eu quebrei meus records! A grande diferença fica a cargo da variedade. Aqui pode ser uma questão sobre o tamanho dos navios. Tanto o Divina quando o Fantasia são navios grandes, o segundo deles para 4 mil passageiros. Já o Summit são apenas 2500 passageiros. Buffet: nos MSC ele eh gigante, mas tem diversas áreas que se repetem, os dois lados são praticamente espelhados para o hóspede não precisar dar a volta toda. 

Buffet sempre colorido e pleno.

O Summit tem metade do tamanho do buffet e do salão, mas nunca enfrentemos lotação como tivemos nas experiencias com a MSC, de faltar lugar pra sentar. Aqui, principalmente no almoço e no jantar a gente precisava dar uma volta toda porque a variedade era imensa. 


Mesa de pães e queijos não faltou!

O dia que teve coquetel de camarão no buffet <3

As sobremesas então? Bonitas, saborosas e todo dia tinha coisas diferentes. Nas duas experiências com a MSC, no terceiro dia já sabíamos o que pegar pq era sempre o mesmo. Outro diferencial do buffet do Summit era o café, bem melhor para o paladar brasileiro, e a estação de sorvete. Sim! Sorvete de massa, sempre 5 ou 6 sabores para escolher. For free!!!


Vai vendo... A variedade!

Um buffet de sobremesas de respeito.

Sempre com coisas diferentes a cada nova refeição.

Inclusive opções sem glúten.

Sim!!! Sorvete feito por eles mesmos!

Mais uma coisa que notamos foi a preocupação em sempre nos perguntar como estava a comida. Todos os dias, em todos os restaurantes, algum chefe aparecia e parava de mesa em mesa perguntado o que achamos da comida. E não era apenas uma paradinha, era realmente uma conversa. O restaurante do jantar também foi uma atração à parte. Nosso garçom era de uma gentileza extrema, sempre nos recomendando pratos, trazendo pratos extras para experimentarmos e, depois que falei no primeiro dia que era sensível a pimenta, todos os dias ele me alertava sobre os pratos em que ela estaria presente. Achei sensacional a preocupação. 


Olha a delicadeza dessa sobremesa. Linda e deliciosa!

Outro diferencial, e aqui o traço da companhia americana: água, chá, sucos de máquina e café que estavam disponíveis 24h por dia também podiam ser pedidos no restaurante do jantar. No fantasia pela Ásia essa opção nos foi vetada, nem água serviam. Já no Divina pelo Caribe, a água era servida mas as demais bebidas gratuitas não.


Estação de bebidas, diversas dentro do buffet e 
uma na área externa da piscina.

Além do restaurante buffet e do restaurante do jantar, o Summit conta com um grill a beira da piscina externa servindo hambúrgueres  hot dogs e fritas durante o dia, um spa bar com comidas leves na hora do almoço próximo da piscina interna e em ambos havia estação para pegar água, gelo, sucos, chá gelado e quente e café. Diferencial, você não precisa se vestir todo apenas pra pegar uma água na beira da piscina. Ainda teve o Café Al Bacio no mesmo andar do cassino, que servia bolos, tortas e munfins até tarde da noite.

Café Al Bacio

E suas delícias...

Olha o capricho dessa decoração!

Na MSC não vimos nada do tipo, ou não estava claro suficiente o que serviam para encontrar-mos. 

Estrutura do Navio: Mesmo sendo um navio bem mais antigo, o Summit não demonstra sua fragilidade. Um ou outro ponto notamos que precisa de pintura ou alguma manutenção , mas nada que afetasse a experiência. O diferencial foi a decoração, muito mais clean que os navios italianos da MSC e sua decoração pesada, com muito tecido e cortinas desnecessárias. No Summit os espelhos são colocados em alguns pontos estratégicos, trazendo muita sensação de espaço e luz, muito agradável! Outra atração acaba sendo uma das torres de elevadores não fica no centro do navio, mas sim na lateral. Ali, 4 elevadores com as laterais de vidro proporcionam todos os dias uma vista panorâmica do Porto atracado ou do mar imenso em dia de navegação. 

Quarto: os quartos, comparando as duas experiências em cabines internas, nos pareceram exatamente iguais. Única diferença eh que as camas extras no Divina eram suspensas, saiam da parede. No Summit, eram um sofá que se transformava na terceira cama, o que para nós foi conveniente para minha mãe (que já passou dos 60).

Aqui na esquerda, o sofa que virava a cama da minha mãe. 
Com a cama montada a passagem para o banheiro ficava bem restrita.

O banheiro tinhas espaço e armários semelhantes, mas no Summit era apenas uma cortina enquanto no Divina havia um box. Porém, a área de banho era maior no Summit. 
Toda a parte de baixo ali pode ser utilizado 
para armazenamento.

Área de Banho com cortina, mas até 
que não fazia muita bagunça...

Recreação e entretenimento: Aqui um ponto onde a MSC ganha - os italianos sabem fazer festas e shows. Mas em defesa do Summit: seu público é diferente, a média de idade deve ser algo em torno de 60 anos. É sério! Então digamos que festas agitadas não fariam tanto sucesso aqui... 

Raríssimo ver casais jovens. Eu contei umas 3 crianças de colo e umas 5 em torno de 10 anos. As poucas crianças ficavam super bem guardadas no espaço de recreação, um espaço vip com Xbox, jogos de tabuleiro e recreadores. A ausência de crianças nas áreas comuns por si só já trás um ambiente mais pacífico, digamos assim. E ainda falando do perfil dos viajantes: uns 90% eram americanos. Brasileiros mesmos acho que só nós e uma família do Rio de Janeiro que descobrimos já nos últimos dias, bem diferente dos cruzeiros da MSC. Isso acaba influenciando no tipo do show. 

A MSC faz espetáculos mais internacionalizado, onde você não necessariamente precisa entender inglês para aproveitar. Já no Summit teve show de comediante americano famoso, peça de teatro com ator da Broadway e show de ilusionismo diretamente de Vegas! Minha mãe precisava de tradução para quase tudo, então pra ela foi bem mais ou menos. Vamos dizer que a escolha do que é apresentado fica sendo uma questão de perfil do público.

Agora, no quesito musical e circense, a MSC leva a melhor, seus cantores e artistas são muito superiores! O cara que fez um número com aquele aro metálico gigante no Summit parecia um principiante perto do mesmo número no Divina. 

Já uma coisa que eu achei muito legal foram os sorteios e premiações no Summit. Enquanto na MSC eu no máximo vi camisetas e copos térmicos serem brinde das atividades, aqui teve até joia de mil dólares sendo sorteado no fim de uma apresentação sobre como comprar um diamante. Assim, outra realidade, eu sei. Mas mesmo em brincadeiras, normalmente um voucher do cassino era o brinde, entre $40 e $50 para jogar em qualquer máquina ou mesa. Achei diferenciado! E foram tantos prêmios que até eu consegui ganhar um!!!

Outra questão que no pareceu diferenciada na Celebrity é o pagamento das gorjetas previamente, junto com o preço do cruzeiro. Querendo ou não, pagar antes te traz certo controle sobre a sua conta. E achamos inclusive um valor menor! Nada impede que você complemente pagando diretamente a um garçom ou mesmo ao seu Stewart. Na MSC essa foi uma questão que nos chateou nas duas ocasiões. Era cobrado $9 por dia por pessoa na cabine. Para um serviço que beirava o descaso, como já comentei. Como manter o pagamento quando o serviço é ruim? No Divina o nosso Stewart lançou uma cobrança de um água na nossa conta, quando fomos perguntar do que se tratava, ele foi extremamente grosso e disse algo como “if you don’t know, you have to pay for everything you consume. Nothing is for free.” Quando tentamos explicar que nunca tivemos aquela água no nosso quarto, que só tomamos água com gás e tínhamos pacote para esse consumo, ele saiu rosnando e picando o papel da consumação que ele anteriormente queria que assinássemos. O pior foi quando tentamos protocolar uma reclamação no guest relations a respeito do ocorrido e uma outra funcionária fez pouco caso e disse que era pra gente esperar pelo survey pós cruzeiro pra fazer a reclamação. oi? Era o terceiro de 11 dias de cruzeiro! Nossa saída para esse caso foi a retirada das gorjetas, infelizmente, já que não nos deram nenhuma outra alternativa. 

A conclusão final (pessoal) que cheguei foi que o estilo da Celebrity vai bem para quem tem um domínio mínimo do inglês, ou viaja com alguém que o tenha. Nao temos certeza se o período do cruzeiro (abril) influencia na ausência de crianças, mas julgamos que esta linha de cruzeiros também não é o ideal para quem tem filhos que possam ficam entediados com as outras poucas crianças a bordo.

Comer bem, a gente vê por aqui! Todos os navios Celebrity ainda contam com restaurantes a la Carte excepcionais, como o Qusine, com experiências gastronômicas pagas a parte. O preço ainda é uma coisa importante pra nós, já que moramos num país de moeda fraca e cada vez menos valorizada perante o dólar. Nessa ocasião pegamos um preço ótimo, R$1.800 por pessoa em cabine interna tripla. O mais barato que fizemos até agora. Mas claro que eu já olhei outras rotas, como o Alaska, e os preços não são tão discrepantes das demais companhias. 

Com toda a certeza do mundo, nas nossas próximas oportunidades nossa planilha de preços levará em consideração todos esses pontos, como a gorjetas pré pagas. E já consideramos inclusive pagar um pouco a mais para ter toda a qualidade de serviço e comida que vivenciamos nesta experiência. Afinal, quando a gente experimenta algo melhor fica difícil dar um passo atrás! 

Então, Celebrity, faça o favor de fazer novas promoções logo!!! =D

E você, já fez algum cruzeiro? 
Só te digo que: vicia!!! <3

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